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Meio Ambiente

Cientistas identificam taxa recorde de deformações em peixes do ES

Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) registraram taxa recorde de deformações em peixes no litoral norte do Espírito Santo. O estudo constatou que 60,5% dos exemplares de Stellifer naso apresentavam anomalias. A espécie é popularmente conhecida como cabeçudo-preto ou tambor-estrela. O percentual com malformação supera os registros anteriores descritos na literatura científica brasileira. Até então, o maior índice era de

Fonte: Rafael Cardoso – Repórter da Agência Brasil07 de agosto de 2026 às 10:020 visualizações
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Cientistas identificam taxa recorde de deformações em peixes do ES
Foto: Agência Brasil
Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) registraram taxa recorde de deformações em peixes no litoral norte do Espírito Santo. O estudo constatou que 60,5% dos exemplares de Stellifer naso apresentavam anomalias. A espécie é popularmente conhecida como cabeçudo-preto ou tambor-estrela.

O percentual com malformação supera os registros anteriores descritos na literatura científica brasileira. Até então, o maior índice era de 27,1%, observado em bagres da espécie Cathorops spixii.

Publicado na revista Ocean and Coastal Research, o trabalho aponta que a alta incidência de deformidades pode estar relacionada à contaminação ambiental persistente causada pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015.
 

Área afetada pelo rompimento de barragem no distrito de Bento Rodrigues, zona rural de Mariana, em Minas Gerais
Área afetada pelo rompimento de barragem no distrito de Bento Rodrigues, zona rural de Mariana, em Minas Gerais - Antonio Cruz/ Agência Brasil

Segundo o pesquisador Jonas Andrade-Santos, do Museu Nacional da UFRJ, os peixes foram coletados em maio de 2022, quase sete anos após o desastre, na foz do Rio São Mateus, próximo ao município de Conceição da Barra (ES).

“Comparando com outros trabalhos similares no Brasil e também expandindo para outras regiões, o nosso trabalho teve resultado bem acima da média em quantidade de peixes com anomalias, o que possivelmente está relacionado às marcas do desastre.”

Os cientistas identificaram anomalias nos otólitos sagitais, estruturas localizadas no ouvido dos peixes, responsáveis pelo equilíbrio, orientação espacial e percepção sonora.

O Stellifer naso habita o fundo do mar, em águas rasas. Por permanecer em contato direto com sedimentos onde ficaram depositados rejeitos da mineração transportados pelo Rio Doce, a espécie pode estar mais exposta aos contaminantes presentes na lama.

Os autores destacam que a pesquisa não permite estabelecer relação causal definitiva entre as deformidades e o rompimento da barragem, porque não existem amostras da região coletadas, antes de 2015, para comparação.

Estudo

Segundo Jonas Andrade, essa limitação reforça a importância de ampliar o financiamento de coleções biológicas de referência e subsidiar estudos de longo prazo sobre impactos ambientais.

A equipe pretende analisar quimicamente as amostras para identificar quais minerais estão acumulados nos otólitos, investigar possíveis deformações externas nos peixes e repetir o monitoramento da região nos próximos anos para avaliar se o ecossistema apresenta sinais de recuperação.

“Mais do que um diagnóstico de contaminação, o estudo reforça a necessidade de diálogo entre a ciência e a sociedade para garantir a segurança do ecossistema e das populações locais”, acrescenta Andrade.

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