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AGORA15 de setembro de 2026
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Cultura

Festival Caju reforça leitura para alunos indígenas na TI Barra Velha

A Oca Tururim, na Aldeia Xandó, Território Indígena Barra Velha, na vila histórica de Caraíva, em Porto Seguro (BA), fará a 5ª edição do Festival Caju de Leitores, nos dias 2 a 4 de setembro próximo. O evento nasceu em 2022 e seu objetivo é melhorar as habilidades de leitura e de escrita dos estudantes indígenas. O motivo é que, desde o ano 2000, começaram a surgir instituições de ensino na região, nformou nesta quarta-feira (26) a diretora-geral do evento, Joanna Savaglia, à Agência Brasil. Not

Fonte: Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil26 de agosto de 2026 às 21:151 visualizações
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Festival Caju reforça leitura para alunos indígenas na TI Barra Velha
Foto: Agência Brasil
A Oca Tururim, na Aldeia Xandó, Território Indígena Barra Velha, na vila histórica de Caraíva, em Porto Seguro (BA), fará a 5ª edição do Festival Caju de Leitores, nos dias 2 a 4 de setembro próximo.

O evento nasceu em 2022 e seu objetivo é melhorar as habilidades de leitura e de escrita dos estudantes indígenas. O motivo é que, desde o ano 2000, começaram a surgir instituições de ensino na região, nformou nesta quarta-feira (26) a diretora-geral do evento, Joanna Savaglia, à Agência Brasil.

São instituições privadas e públicas, instaladas na região, como a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), campus de Porto Seguro, e a Escola Técnica Estadual (Etec).

“Os estudantes precisam de redação e da compreensão de texto para poder vencer a dificuldade do vestibulinho”, afirmou Joanna. “A ideia é trabalhar em parceria com a escola para levar a atividade para o território”, disse.

Segundo Joanna, a meta é dar aos estudantes ferramentas para que possam fazer o que quiserem. Assim, não precisam mais ficar presos no território. “Teu pai quer que você seja advogado? Então, vai estudar, mas saiba que tem que ter interpretação de texto, tem que saber escrever. Foi com essa intenção que o Caju nasceu”, explicou.

POrto Seguro (BA), 26/08/2026 - Festival Caju de Leitores. Foto: Festival Caju de Leitores/Divulgação
Programação é aberta e gratita. Foto: Divulgação

A diretora-geral destacou que no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) o aluno tem que saber escrever, construir. 

Fauna

O tema deste ano do festival é Manifesto de Bichos. Em todas as edições, os temas têm importância para os indígenas.

No festival de 2026 não poderia ser diferente. Como os temas são ligados ao meio ambiente, que é onde eles vivem, a decisão foi falar dos animais. “A fauna vai estar inteira dentro da programação, falando de bichos, basicamente”, afirmou Joanna. Edições anteriores abordaram território, flora e árvores, entre outras questões.

O festival propõe atividades voltadas à literatura, oralidade, memória e conhecimentos indígenas, tendo os animais como parte das narrativas e das relações com a ancestralidade, o território, a língua e a natureza. A proposta dialoga diretamente com o lugar e a presença dos bichos nas histórias, nas memórias e nos conhecimentos do povo Pataxó.

No local, estarão reunidos escritores, artistas, educadores, estudantes, pesquisadores, lideranças indígenas e comunidades, em atividades como literatura, oralidade, artes, educação e saberes tradicionais.

Formação de leitores

A programação é gratuita e aberta a todas as faixas etárias. O público do festival é, majoritariamente, estudante e indígena.

“Quando se faz um evento para esse público, vai pai, mãe, avô, avó, filho, gato, cachorro. Então, é sempre para todo mundo. Não tem faixa etária. Não tem isso de mesa para criancinha, mesa para pessoal mais velho. Não. É tudo junto, disse a diretora-geral do evento.

A ideia é trabalhar em parceria com a escola para levar essa atividade para as escolas do território. O evento Vozes da Escola, organizou uma jornada de formação em literatura indígena para os professores, em parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).

“O município de Porto Seguro é cheio de territórios indígenas, tem a aldeia mãe de todos, que é Barra Velha, onde ocorre o Caju, mas existem vários territórios dentro do município."

Para os professores, é um evento especial. Eles tiram os alunos das escolas e levam para ter aulas dentro da oca. A organização do festival oferece comida. “Tem lanche, tem almoço. Muita gente fica hospedada na escola. Tem pessoas que acampam ali também, porque a área do Centro Cultural Indígena Pataxó da Aldeia Xandó Oca Tururim é grande.”

Estudantes e educadores participarão da programação não apenas como público, mas também compartilhando experiências e produções desenvolvidas no ambiente escolar.

Convidada

Eeste ano, pela primeira vez, o festival trará uma autora estrangeira, a primeira da América do Sul. Trata-se da indígena argentina Mariela Tulián, do povo Tulián.

Entre os brasileiros, participam Sairi Pataxó, escritor e liderança Pataxó; Lucia Tucuju, do povo Galibi-Marworno, escritora, roteirista, atriz e narradora; Auritha Tabajara, escritora, cordelista e contadora de histórias; Vanessa Guarani Ratton, do povo Guarani M’bya e vencedora do Prêmio Jabuti 2023 na categoria Fomento à Leitura; Apêtxienã Pataxó, professor e guardião da língua ancestral Pataxó, entre outros.

A homenageada desta edição é Maria Coruja, de 91 anos, da Aldeia Pará, situada dentro da Barra Velha. Ela transmite pela oralidade as tradições Pataxó de cantigas e brincadeiras de criança.

Indagada se a organização já estaria planejando o tema da edição de 2027, Joanna Savaglia considerou que será difícil superar o Manifesto de Bichos, “porque este já está sendo um sucesso total”. Não à toa, esta quarta-feira é o Dia Mundial do Cachorro.

Inovações

O evento terá pela primeira vez uma livraria, além de loja, espaço de alimentação e exposição. A abertura do festival será às 14h do dia 2 de setembro.

Desde sua criação, o Festival Caju de Leitores já alcançou mais de 12 mil pessoas em suas diferentes ações.

Originalmente chamado Caraíva Juvenil, o festival adotou o acrônimo Caju (proveniente dessas duas palavras CAraíva JUvenil). A palavra carrega a ancestralidade da fruta nativa, que no tupi-guarani (acayu) significa "noz que se produz" e representava, historicamente, a contagem do tempo para os povos indígenas.

O Festival é uma realização do Ministério da Cultura e da Savá Cultural. Conta com patrocínio da Neoenergia e do Itaú, via Lei Rouanet de Incentivo à Cultura, além da Secretaria Municipal de Educação de Porto Seguro, por meio da Superintendência de Cultura e Patrimônio Histórico.

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